quinta-feira, 8 de julho de 2010

carnal

Hoje apetece-me fazer amor contigo e escrever poesia
Escrever poesia e fazer amor contigo
Podia escrever na tua pele, Amor
Enquanto amor contigo fazia
Podia versar esse amor que os nossos corpos gemiam
E no nosso suor a tinta escorria
Ainda hei-de fazer de ti um poema, Amor
Os lençóis da cama podiam ser o papel amarrotado onde misturo as palavras
Hoje apetece-me fazer amor contigo e escrever poesia
Escrever poesia e fazer amor contigo
Delirar por entre a estilística enquanto te sinto por entre as minhas pernas
Escrevia poemas com as minhas unhas
Nas tuas costas, Amor
Ao mesmo ritmo que passavas a língua pelas minhas coxas
Hoje apetece-me fazer amor contigo e escrever poesia
Escrever poesia e fazer amor contigo
Grafar o ponto final, Amor
Ao mesmo tempo da tua contracção muscular, Amor
Ver os teus olhos revirarem e sentir a tua respiração ofegante
Enquanto, em catarse, jorro metáforas, hipérbatos, oximoros hiperbolizados
Sente a poesia no meu corpo, Amor
Agarra-a com força
Sente a poesia que vem de dentro de mim
Ainda hei-de fazer de ti um poema, Amor
Um poema que imagino à noite
No meio dos lençóis despida
Hoje apetece-me fazer amor contigo e escrever poesia
Escrever poesia e fazer amor contigo!

Susana Moura