sábado, 10 de setembro de 2016

voo bento

ah, ave santa de força tanta
que eleva a si mesma do chão.
esplendor de dúbia plumagem
imagem hipnótica que rouba à paisagem
fascínio maior - criatura de vento
sopro que sobe ao momento de gozo do pensamento
-férreos ossos, bico adunco, olhos entre espaços
que cobrem as bordas do mundo.
dá-se ao compasso de inaudível melodia e rodopia, uma valsa nos braços de seu holocausto: quebra as barreiras entre o céu e a terra e não teme castigos por sua ousadia em desafiar os abismos e as leis  naturais, fazendo em si mesma eclodir um milagre concreto, extenso, propenso à se libertar das garras do solo - um súbito suspiro e já é só impressão essa sua presença.
De coração alardeado arrebata em seu peito acelerado
a vida que tropeça nas coisas do chão.

Elisabete Amorim

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